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Arla 32: o que é, para que serve e o que acontece se faltar

Banner editorial da SOS Escapamentos em oficina automotiva com carro no elevador, moto e caminhão ao fundo, representando o artigo sobre arla 32: o que é, para que serve e o que acontece se faltar.

Arla 32 é o líquido que vai em um reservatório separado, geralmente de tampa azul, em veículos diesel mais novos. Ele não é combustível, não é aditivo de diesel e não vai no tanque. A função dele é reduzir a emissão de óxidos de nitrogênio, atuando dentro do sistema de escapamento.

A sigla significa Agente Redutor Líquido Automotivo, e o número 32 vem da concentração da solução. Quem lida com caminhão, utilitário ou picape diesel recente convive com esse reservatório e com os avisos que ele gera no painel.

O que é exatamente

Segundo a cartilha do Ibama sobre o produto, o ARLA 32 é o Agente Redutor Líquido Automotivo, usado para o controle da emissão de óxidos de nitrogênio. O documento o descreve como uma solução transparente de ureia em água desmineralizada, não tóxica e de manuseio seguro.

A composição é de 32,5% de ureia técnica de alta pureza em água desmineralizada, conforme a norma NBR ISO 22241. Para comercialização, o Ibama registra os limites de 31,8% como mínimo e 33,2% como máximo. É daí que vem o número no nome: 32 é a referência da concentração.

Essa precisão não é detalhe burocrático. O sistema foi calibrado para trabalhar com essa concentração específica. Solução mais diluída não entrega a quantidade de agente redutor esperada, e solução fora de norma pode conter impurezas que danificam o catalisador de redução.

Como o ARLA 32 age dentro do escapamento

O mecanismo é elegante e vale entender, porque explica quase todos os problemas que aparecem depois.

Motor diesel trabalha com excesso de oxigênio e alta temperatura de combustão. Essa combinação é ótima para eficiência térmica e péssima para formação de óxidos de nitrogênio, o NOx. Quanto mais eficiente a queima, mais NOx se forma. É um conflito de engenharia.

O catalisador de três vias usado em motores a gasolina não resolve isso no diesel, porque ele depende de uma mistura próxima da estequiométrica para reduzir NOx, condição que o diesel não oferece. A explicação da química de conversão está em catalisador: o que é e para que serve.

A solução adotada foi tratar o NOx depois que ele se forma, e é aí que entra o ARLA. Conforme descreve o Ibama, o ARLA 32 é injetado no sistema de exaustão antes do SCR e transformado em gás de amônia, que reage com o NOx na presença do catalisador de redução seletiva.

Na prática o caminho é este: o líquido é pulverizado no fluxo de gás quente, a água evapora, a ureia se decompõe em amônia, e a amônia reage com os óxidos de nitrogênio sobre o catalisador SCR, produzindo nitrogênio e água, que são componentes normais do ar.

SiglaNomeO que trata
DOCCatalisador de oxidaçãoMonóxido de carbono e hidrocarbonetos
DPFFiltro de partículasFuligem, por retenção física
SCRRedução catalítica seletivaÓxidos de nitrogênio, com auxílio do ARLA 32
EGRRecirculação de gasesReduz formação de NOx na origem, baixando a temperatura de combustão

Esse quadro resolve a confusão mais comum. O mapa completo das siglas está em sigla DPF.

ARLA não tem relação com o filtro de partículas

Vale insistir neste ponto porque ele gera decisões erradas com frequência.

O ARLA alimenta o SCR, que trata NOx, um gás incolor. O o componente que retém a fuligem retém fuligem, que é material sólido. São dois poluentes diferentes, tratados por dois subsistemas diferentes, com falhas independentes.

Completar o reservatório de ARLA não desentope filtro saturado. Limpar o filtro não apaga aviso de nível de ARLA. E os avisos no painel são distintos, embora muita gente os confunda, assunto tratado em luz do filtro de partículas.

Existe uma relação indireta. Em projetos que dependem mais do SCR para atender aos limites de NOx, a calibração de combustão pode ser ajustada de forma que gera menos fuligem, o que alivia o filtro. E a válvula EGR trabalha no mesmo objetivo por outro caminho, reduzindo a formação de NOx na origem em vez de tratá-lo depois.

Desde quando é exigido no Brasil

O ARLA 32 passou a ser exigido a partir da fase PROCONVE P7, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2012, conforme a cartilha do Ibama. Essa fase equivale ao padrão europeu da época e representou um salto nos limites de emissão para veículos pesados.

As fases seguintes apertaram ainda mais os limites de óxidos de nitrogênio e de material particulado, movimento analisado pelo ICCT na avaliação da fase P8.

Isso significa que veículo diesel anterior a 2012 não usa ARLA, e não está irregular por isso. O requisito acompanha a fase de homologação de cada veículo.

O que acontece quando o ARLA acaba

Esta é a parte que mais gera dúvida prática, e a resposta é clara.

O sistema monitora o nível do reservatório e avisa com antecedência. Os avisos evoluem em estágios, tipicamente começando com indicação de nível baixo, passando para alerta com contagem regressiva de autonomia e chegando à limitação.

Quando o tanque está vazio, segundo a cartilha do Ibama, o limitador é ativado sem contagem de tempo, reduzindo até 40% o torque do motor.

Quarenta por cento de torque a menos em um caminhão carregado não é inconveniente, é parada operacional. O veículo continua andando, mas não cumpre a tarefa. Essa é a razão de a limitação existir: ela torna o desrespeito ao sistema economicamente inviável, sem imobilizar o veículo de forma perigosa.

EstágioO que o painel indicaEfeito
Nível baixoAviso de reabastecimentoNenhum
ReservaAlerta com autonomia restanteNenhum ou leve
Muito baixoAlerta intensificadoPode haver redução parcial
Tanque vazioLimitação ativadaRedução de até 40% do torque

Cuidados de armazenamento e manuseio

O ARLA 32 é uma solução aquosa, e isso traz implicações práticas.

Ele congela em temperaturas baixas, o que raramente é problema no Brasil, mas existe em regiões serranas no inverno. Os sistemas de veículos têm aquecimento no reservatório e nas linhas justamente por isso, e o congelamento não danifica o produto: ele volta ao estado original ao descongelar.

Tem prazo de validade. A ureia se decompõe lentamente, principalmente com exposição a calor e luz. Produto armazenado por muito tempo, em local quente ou em embalagem transparente exposta ao sol, pode sair de especificação.

Não deve entrar em contato com qualquer material. Ele é corrosivo para alguns metais, e por isso os sistemas usam componentes específicos. Usar funil ou recipiente que já teve outro produto é caminho certo para contaminação.

E, acima de tudo, não se mistura ao diesel. O reservatório é separado e tem bocal próprio, geralmente menor e com tampa azul, justamente para evitar abastecimento cruzado. Colocar ARLA no tanque de diesel, ou diesel no reservatório de ARLA, exige limpeza do sistema e pode danificar componentes caros.

O que dá problema na prática

Três situações concentram a maior parte das ocorrências.

Produto fora de especificação. ARLA comprado de origem duvidosa, diluído ou vencido, não entrega a conversão esperada. O sistema detecta a ineficiência pelos sensores de NOx e registra falha, muitas vezes com limitação de torque mesmo com o reservatório cheio.

Contaminação. Água comum, combustível ou resíduo de outro produto no reservatório danificam o catalisador SCR, que é peça cara.

Cristalização. Quando há vazamento ou quando o injetor de ARLA falha, o produto seca fora do lugar e forma depósito branco cristalizado. Esse depósito entope o bico injetor e pode obstruir a linha.

O sintoma clássico de cristalização é resíduo branco visível na região do injetor ou em conexões, acompanhado de consumo de ARLA acima do normal.

Quem usa e por que isso importa para a frota

Na operação de transporte, o ARLA entrou no orçamento como item recorrente. O consumo varia conforme o motor, a calibração e o perfil de uso, e a referência real de cada veículo aparece no manual do fabricante.

O ponto que pesa na operação não é o custo do produto, é o risco de parada. Veículo com limitação de torque ativa deixa de cumprir a rota, e o custo disso supera com folga o de manter o reservatório abastecido com produto de procedência.

O recorte de linha pesada está em escapamento de caminhão, e a relação entre uso e manutenção do pós-tratamento em o ciclo de queima da fuligem.

Vale lembrar que o ARLA trata NOx, que é incolor, e por isso não altera a leitura de opacidade. Um veículo pode estar com o sistema SCR em ordem e ainda assim reprovar por fuligem, tema de teste de opacidade.

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Perguntas frequentes sobre Arla 32

O que é Arla 32?

É o Agente Redutor Líquido Automotivo, uma solução de ureia em água desmineralizada usada para reduzir a emissão de óxidos de nitrogênio em veículos diesel. Segundo o Ibama, é uma solução transparente, não tóxica e de manuseio seguro.

Qual a composição do Arla 32?

32,5% de ureia técnica de alta pureza em água desmineralizada, conforme a norma NBR ISO 22241. Para comercialização, os limites são 31,8% no mínimo e 33,2% no máximo.

Para que serve o Arla 32?

Para reduzir os óxidos de nitrogênio emitidos pelo motor diesel. Ele é injetado no sistema de exaustão antes do SCR e transformado em amônia, que reage com o NOx na presença do catalisador de redução seletiva.

Arla 32 vai no tanque de combustível?

Não. Vai em reservatório separado, com bocal próprio, geralmente de tampa azul. Misturar ARLA ao diesel ou diesel ao ARLA exige limpeza do sistema e pode danificar componentes.

O que acontece se acabar o Arla 32?

Com o tanque vazio, o limitador é ativado sem contagem de tempo e o torque do motor é reduzido em até 40%, conforme registra a cartilha do Ibama. O veículo continua andando, mas com desempenho limitado.

Desde quando o Arla 32 é obrigatório?

Passou a ser exigido a partir da fase PROCONVE P7, em vigor desde 1º de janeiro de 2012. Veículos diesel anteriores a essa fase não usam o produto.

Arla 32 tem relação com o filtro de partículas?

São subsistemas independentes. O ARLA alimenta o SCR, que trata óxidos de nitrogênio. O filtro de partículas retém fuligem. Completar o reservatório não desentope o filtro.

Arla 32 vence?

Tem prazo de validade. A ureia se decompõe lentamente com o tempo, principalmente sob calor e exposição à luz. Produto fora de especificação pode gerar falha mesmo com o reservatório cheio.

O que é aquele resíduo branco perto do injetor de Arla?

É cristalização, que ocorre quando há vazamento ou falha no injetor e o produto seca fora do lugar. O depósito entope o bico e pode obstruir a linha, e costuma vir acompanhado de consumo acima do normal.

Posso usar água no lugar do Arla 32?

Não. A conversão depende da ureia na concentração específica. Água comum não reduz NOx, contamina o sistema e pode danificar o catalisador SCR.

Arla 32 congela?

Congela em temperaturas baixas, situação rara na maior parte do Brasil. Os veículos têm aquecimento no reservatório e nas linhas, e o congelamento não estraga o produto, que volta ao normal ao descongelar.

Arla 32 reduz a fumaça preta?

Não diretamente. O ARLA trata óxidos de nitrogênio, que são incolores. A fumaça preta é material particulado, tratado pelo filtro de partículas.

// AUTORIA
Time SOS Escapamentos

Equipe técnica da SOS Escapamentos, focada em compra correta de escapamentos, catalisadores, silenciosos e componentes com compatibilidade conferida.

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